Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Recortes de jornais desde a década de 40 em exposição até Setembro em Anadia

Museu José Luciano de Castro recebe mais de 50 mil recortes que retratam as gentes da terra

O resultado de mais de 65 anos a recortar notícias de jornais pode agora ser visto e analisado na sala de exposições temporárias do Museu José Luciano de Castro, situado no Palacete Seabra de Castro, em Anadia. “Recortes de História” é a exposição que inaugurou no último sábado, dia 20 e que retrata a dedicação de João Venâncio Marques, autor, às gentes de Anadia.

São mais de 50 mil os recortes compilados por João Marques, todos eles agrupados em dossiês e organizados por temas, sejam eles personalidades ou instituições de Anadia, do concelho e até da Bairrada.

Nuno Rosmaninho, docente do Departamento de Línguas e Cultura da Universidade de Aveiro (UA), responsável pela apresentação da exposição, assinalou o momento como sendo “de grande importância para os estudos locais de Anadia e não só”.

O professor da cadeira de Cultura e Património na UA falaria sobre três circunstâncias: da exposição, do homem e da obra em si. Também Rui Rosmaninho recorreu, em Dezembro de 1990, à ajuda de João Venâncio Marques, que “disponibilizou, com muita simplicidade, a documentação de que já dispunha, em significativa quantidade”.

O docente referiu que os recortes de João Marques são “um acervo que é uma verdadeira enciclopédia de Anadia e da Bairrada”. E referindo-se à revista Aqua Nativa, onde escreve, lembrou que daquilo que se publica “há sempre algo de útil no arquivo de João Marques. Quer documentos, quer fontes”.

 

Um “verdadeiro banquete”

Para Rui Rosmaninho, “Recortes de História” é um “verdadeiro banquete deste século, sobretudo para quem gosta de História Local. É uma revisitação quase faustosa do passado”.

Os recortes estão organizados em pastas sobre o Ensino Primário, o Colégio Nacional, Lions, o Café Anadia, o Teatro. Existe também uma quantidade inúmera de pastas dedicadas a figuras, das mais remotas às mais recentes, como Fausto Sampaio, Mário Pato, Rodrigo Rodrigues dos Santos ou Manuela Alves.

Os recortes de João Marques, para Rui Rosmaninho, têm uma grande importância do ponto de vista científico e pedagógico: “Por restabelecer o contacto com a História Local, é por isso uma exposição que deve interessar a escolas, por ter muitos trabalhos de índole pedagógica”.

O professor da UA disse que o espólio deve ser preservado conforme foi entregue pelo autor, podendo somar-se mais recortes. “Não vi em todas as pastas a dos escritos do senhor João Marques. É um trabalho de grande interesse, que não vi, mas que também deve estar”, sublinhou Nuno Rosmaninho.

 

Espólio vai ser digitalizado

O local onde o espólio foi colocado “é o natural. É um óptimo local, de serviço à comunidade e um lugar de cultura e grande importância”, afirmou Rosmaninho, congratulando-se com o facto de o espólio ser futuramente digitalizado, “o que vai constituir uma alavanca em termos de divulgação, porque a sua capacidade de multiplicação pedagógica e científica aumenta muito”.

Rui Rosmaninho terminou convidando João Marques a “não parar”. E foi a esposa, Angelina Pina, que rapidamente disse que não deixava.

Carlos Matos, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Anadia, lembrou que a exposição “é uma pequeníssima parte do que João Marques tem feito e doou à instituição”, agradecendo publicamente por isso. Litério Marques, presidente da Câmara de Anadia, classificou a mostra como “um trabalho fantástico”.

João Venâncio Marques, emocionado, agradeceu à esposa e referiu-se àquele como “um dos grandes momentos da minha vida”.

 

 

publicado por quiosquedasletras às 09:04

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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

“Recortes de História” inaugura no sábado

João Venâncio Marques doa espólio com milhares de notícias recortadas à Misericórdia de Anadia

No próximo sábado, dia 20 de Fevereiro, vai inaugurar, numa das salas do Museu José Luciano de Castro - Palacete Seabra de Castro, em Anadia, pelas 15 horas, a exposição “Recortes de História”, da autoria de João Venâncio Marques.

O autor, natural da cidade de Anadia, com 77 anos de idade vai expor no referido espaço museológico, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Anadia (SCMA), a sua colecção particular com alguns dos mais significativos “Recortes de História”, retirados de jornais, que colecciona.

Possuidor de um arquivo de documentos jornalísticos, que foi reunindo ao longo dos anos e que reflectem a história e memória colectiva, no fundo o passado de Anadia e de pessoas do concelho, João Venâncio Marques vem agora dar a conhecer à população essas “relíquias” que tanto estima.

“Trata-se de um espólio de alta importância, dedicado a um espaço, que marca uma actividade cultural, a riqueza de um património, que dá a conhecer uma grande parte da minha vida”, explicou o autor.

E foi com apenas 11 anos que João Venâncio Marques iniciou esta actividade de coleccionador de recortes de jornais, sem “destino definido, mas já com a veia de ‘esfrangalhar’ jornais”, admite. E estes recortes dizem todos respeito a “tudo aquilo que fosse alusivo a Anadia e à Bairrada e suas gentes, não colocando de parte outras notícias que achasse de interesse”.

É no seio destes princípios que instituições como a SCMA, a Banda de Música, Bombeiros Voluntários de Anadia, Anadia Futebol Clube, APPACDM entre outras, mas também individualidades como Fausto Sampaio, Rodrigues Lapa, Manuel Alves, o ex-treinador do Benfica Toni, o “Fernandito” (Fernando Pina) do Anadia ou José Iglésias ganham personalidade nos recortes, indo ao encontro dos objectivos do autor.

Um trabalho considerado “digno e enriquecedor”, apreciado e valorizado por muitos alunos, “alguns deles em carteira universitária, mas também por historiadores, sendo alguns de renome e que consideram este um serviço extraordinário e de grande utilidade”, afiançou João Venâncio Marques.

Há mais de 65 anos que o autor desenvolve esta actividade, “permanentemente e de forma inesgotável”, sobre um tema “que não tem fim”. A entrega do espólio, devidamente legalizado, à SCMA é fruto de um anseio pela abertura e colaboração “nunca negada pela instituição”, que se alia à Biblioteca José Luciano de Castro.

 

 

publicado por quiosquedasletras às 09:44

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